O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) realizou, nos dias 12 e 13 de março, mais uma fase da Operação Litoral Norte. A ação, conduzida pelas conselheiras Denise Affonso e Cristiane Ribas, percorreu unidades de saúde em Xangri-lá, Capão da Canoa, Torres e Arroio do Sal. O objetivo foi ouvir a categoria médica e verificar as condições estruturais e de segurança dos postos.
O cenário crítico em Arroio do Sal
Embora outros municípios tenham apresentado problemas pontuais, Arroio do Sal chamou a atenção da comitiva pela ausência de profissionais em diversas unidades e pela vulnerabilidade na segurança dos médicos.
1. ESF Centro (José Elton Castro Cardoso) Apesar de contar com um prédio novo e reformado, a unidade enfrenta carências graves:
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Falta de Especialistas: Não há pediatra no local. O atendimento é feito por médicos de família e clínicos gerais.
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Insegurança: O posto não possui vigilante, câmeras de monitoramento ou rotas de fuga nos consultórios em caso de agressão.
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Sobrecarga: A unidade é responsável por uma área de abrangência de cerca de 6,5 mil pessoas.
2. Unidades sem atendimento médico Durante as visitas de fiscalização na tarde de quinta-feira, a equipe encontrou postos sem médicos disponíveis para a população:
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ESF Figueirinha: Nenhum médico atendendo no momento da visita. Apurou-se que o profissional atua no local apenas duas vezes por semana.
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UBS Bom Jesus: A unidade também estava sem médicos no momento da inspeção, apesar de a escala prever atendimento três vezes por semana.
3. ESF Balneário Atlântico Referência para 2 mil pessoas, a unidade também não conta com pediatra. A segurança é um ponto de alerta máximo: não há câmeras ou vigilantes. Relatos colhidos pelo Simers indicam que, durante o verão, ocorreu uma ameaça grave que exigiu a intervenção da Brigada Militar.
Panorama Regional: Pediatria e Segurança em pauta
A Operação Litoral Norte identificou que a falta de pediatras é um problema crônico na região. Em Xangri-lá, médicos relataram agressões verbais frequentes de pacientes. Já em Capão da Canoa, embora a estrutura de exames e especialidades seja superior, os médicos sofrem com consultórios pequenos e falta de equipamentos básicos, como pias e ar-condicionado funcional.
Em Torres, a fiscalização encontrou problemas de infraestrutura (rachaduras e infiltrações) na ESF José de Oliveira Santos, além de relatos de atrasos salariais por parte da empresa terceirizada que faz a gestão dos profissionais.
Próximos Passos
Diante da gravidade dos fatos apurados, especialmente em relação à insegurança e à falta de médicos em Arroio do Sal, o Simers informou que encaminhará ofícios às gestões municipais e às empresas terceirizadas. O sindicato busca reuniões imediatas para cobrar melhorias nas condições de trabalho e garantir que a população não fique desassistida de cuidados básicos e especializados.
"Encontramos muitos médicos jovens, a maioria terceirizados, o que prejudica o vínculo e a continuidade do cuidado na atenção primária", destacou a conselheira Denise Affonso.